[lundi, janvier 14, 2008]
 
[ tudo em bold. ]

minha mãe é foda. em um dos surtos dela de querer me mandar milhões de coisas, junto à caixa com algumas roupas, comida e mimos, me enviou "sexus, plexus, nexus" a trilogia que tem o nome de "a crucificação encarnada" de henry miller. pois bem. não tinha dado muita atenção. ontem em um surto quase depressivo fui até a sala procurar algum livro da clarice, e me deparo com esses livros. resolvi começar a ler. e digo. é foda de tudo. e é mais foda porque são assuntos que tenho pensado/conversado bastante, mas não ainda o suficiente.

__

uma grande obra de arte, quando chega a realizar alguma coisa, serve para nos lembrar, ou digamos melhor, para nos pôr a sonhar com tudo aquilo que é fluido e intangível. vale dizer, o universo. não pode ser entendida; só pode ser aceita ou rejeitada. caso aceita, ficamos revitalizados; se for rejeitada, isso nos diminuirá. o que quer que pretenda ser, não o será: é sempre algo mais a respeito de que nunca se dirá a última palavra. ela é tudo o que nela colocamos devido à fome daquilo que nos negamos cada dia de nossas vidas. se nos aceitássemos tão completamente assim, a obra de arte, na verdade o mundo todo da arte, morreria de subnutrição. todo mortal como nós se movimenta sem os pés pelo menos algumas horas por dia, quando os olhos se fecham e o corpo fica de bruços. a arte de sonhar completamente desperto estará à alçada de todo homem um dia. muito antes disso, os livros terão deixado de existir, pois, quando os homens estiverem inteiramente acordados e sonhando, seus poderes de comunicação (uns com os outros e com o espírito que anima todos os homens) serão tão realçados que farão o ato de escrever parecer-se com grunhidos ásperos e roucos de um idiota.

––

diariamente sufocamos nossos melhores impulsos. é por isso que nos dá uma dor no coração sempre que lemos aquelas linhas escritas pela mão de um mestre e as reconhecemos como nossas, como os tenros brotos que esmagamos porque nos faltava fé para acreditar em nossas próprias forças, nosso próprio critério de verdade e beleza. todo homem, quando se aquieta, quando se torna desesperadamente honesto consigo mesmo, é capaz de pronunciar verdades profundas. derivamos todos da mesma fonte. não há mistério sobre a origem das coisas. somos todos parte da criação, todos reais, todos poetas, todos músicos; só nos falta desabrochar, apenas descobrir o que já existe em nós.

––

como é que se pode fazer outra pessoa entender o que está realmente acontecendo dentro da gente? se eu quebrasse uma perna ele largaria tudo. mas se o coração da gente está explodindo de alegria - bem, é um pouco maçante, sabem. as lágrimas são mais fáceis de suportar que a alegria. a alegria é destrutiva: deixa os outros constrangidos. - "chore e chorará sozinho" - que grande mentira! chore e encontrará um milhão de crocodilos a chorar com você. o mundo está eternamente chorando. o mundo está empapado de lágrimas. o riso é outra história. o riso é momentâneo - ele passa. mas a alegria, a alegria ´uma espécie de sangria arrebatadora, uma espécie vergonhosa de supercontentamento que transborda de cada poro do nosso ser. não podemos tornar as pessoas alegres simplesmente com a nossa própria alegria. a alegria tem que ser gerada pela prórpia pessoa: é ou não é. a alegria se baseia em algo profundo demais para ser entendido e comunicado. ser alegre é ser um louco num mundo de fantasmas tristes.

sexus. henry miller.

Comments:
"diariamente sufocamos nossos melhores impulsos. é por isso que nos dá uma dor no coração sempre que lemos aquelas linhas escritas pela mão de um mestre e as reconhecemos como nossas, como os tenros brotos que esmagamos porque nos faltava fé para acreditar em nossas próprias forças, nosso próprio critério de verdade e beleza."

- ainda há muito o que ser feito nessa vida.
 
Enregistrer un commentaire

<< Home