[ Last names and missing memories. ]
E das nuvens se fez a montanha, e da chuva se fez as lágrimas. Porque ultimamente tenho sentido mais que o normal.
E é tão ruim me apegar aos sentidos, pois já nem sei mais como é. Só sei da falta. E dos vazios que se constróem o dia a dia. Lembro que é bom. Lembro dos sorrisos, e dos cheiros, e dos silêncios. Mas as lembranças não são mais suficientes. Não mais. Tentando desconstruir pra reconstruir novamente. Quero algo palpável, mas há sempre essa espera. E de toda essa inquietude tenho aprendido a ser paciente.
Talvez seja uma fase, ele disse. Sim, talvez. Talvez agora eu não precise de cores, auto-afirmações, reflexos e coisas vãs. Talvez eu só esteja me aproximando do que realmente importa, mesmo que isso signifique me isolar um bocado do mundo. Procurando motivos para não cair, não dessa vez. Ao menos não estou me dando motivos para fugir. A única coisa que sei é que dessa vez quero seguir em frente. Até onde meus pés puderem andar, até onde minha força conseguir ir. E chegando nesse lugar que ainda não sei onde é, daí sim decido o que mais. Mas até lá ainda me forçarei a percorrer aquilo que meus olhos não alcançam, tentarei entender o que não me agrada, dançarei com meus demônios, e recomeçarei tudo de novo se for necessário. Porque é o único jeito que sei. E não escolho caminhos para desistir deles. Não assim tão fácil.